21º Festival MI

Manifesto

A criação é um ato de resistência.

A memória é um
território em permanente reconstrução.
Jocy de Oliveira

No início de uma nova década do Festival de Música na Ibiapaba, abrimos o diálogo com seu passado e reafirmamos sua importante vocação e legado – o estímulo às experiências de formação e criação na música popular brasileira, possibilitando a aprendizagem com reconhecidos músicos e musicistas de todo o Brasil.

O que é a música do nosso tempo? Uma música sem fronteiras, cuja abrangência nos desafia a refletir sobre a força do pensamento afrodiaspórico e contracolonial, a considerar os novos suportes e tecnologias, experienciar a acessibilidade como dimensão estética e criativa, reconhecendo a presença e a criação de pessoas com ou sem deficiência como parte constitutiva da música do nosso tempo, assim como, ampliar referências da educação que compreendam a música como mobilizadora da nossa própria existência no mundo.

As ações formativas foram pensadas em quatro eixos: instrumento e regência; práticas de conjunto; criação e acessibilidade/educação, compreendida como dimensão transversal que amplia modos de ensinar, aprender e fazer música. Cada uma dessas modalidades foi conduzida por temáticas que consideramos essenciais à música do nosso tempo. Além do Festival continuar contando com o ensino de instrumento, abre-se a possibilidade de aprofundamento no gesto criador, ponto de início e razão que perpassa todas as práticas musicais. A criação é contemplada com oficinas específicas de tecnologias, trilhas, produção musical, criatividade na educação, improviso, arranjo, rap etc. A música brasileira guiou as escolhas temáticas das práticas de conjunto com oficinas de música negra, frevo, nordeste, choro, cultura popular etc. Os eixos favorecem um movimento interdisciplinar, estimulando estudantes a vivenciar práticas para além de seu instrumento, em diálogo com diferentes áreas da música.

Agradecemos ao corpo docente pela receptividade às ideias e o empenho para a realização do Festival. Por fim, comemoramos a primeira edição com equiparidade entre homens e mulheres.

Desejamos a todas e todos uma boa jornada musical!

Lu Basile e Mona Gadelha